Para quem pretende pedalar diariamente, acho importante levar em consideração alguns pontos, na hora da escolha da bicicleta mais apropriada para comprar:

  • Qualidade – Peças que não te deixem na mão, que não quebrem no meio do seu deslocamento diário.
  • Praticidade – A bike precisa suprir suas necessidades, de estacionamento, dias de chuva, levar compras, segurança, etc.
  • Discrição – A sua bike ficará exposta diariamente nas ruas. Se ela for cara e/ou chamativa, poderá atrair a atenção de ladrões. Será que compensa o risco?

Mas antes de tudo, que tal começar experimentando as bicicletas de aluguel/empréstimo, tipo essas do Itaú (laranjinhas) ou Bradesco (vermelhinhas)?
Imagina você comprando uma bicicleta, para depois descobrir que a experiência de pedalar não era exatamente o que você imaginava?
Então, o que custa pedalar primeiro com essas bikes, por um tempo, sem compromisso, uai!

Tá decidido a pedalar mesmo? Ok, bóra!

Não aconselho a compra de bikes muito baratas e/ou simples demais. Pois logo você vai querer/precisar fazer upgrades.

Tem gente que aconselha investir uma boa grana, parcelar, dizendo que vai valer a pena… Mas eu, particularmente, discordo. Me atento pro custo/benefício e o prejuízo em eventual roubo/assalto. Lembrando que estamos falando de deslocamentos diários e não competição.

A minha bike é uma Kona lanai 2010. É uma entry-level, o modelo mais básico dessa marca estrangeira.
Pra mim, foi um ótimo investimento, pois ela é minha bike oficial até hoje (estou escrevendo isso em 2017).
( Inclusive fui atropelado 2 vezes com ela, e continuamos firmes até hoje. Mas isso, já é outra história! )
Uma nova hoje, custa bem mais caro do que paguei (cerca de R$1.500), pois vem melhor equipada.

Eu aconselho ficar abaixo dos R$1.500, para quem vai pedalar mesmo e têm um orçamento apertado. Dá para encontrar uma boa bike e ficar com ela por alguns anos, tranquilo. Ontem mesmo, vi alguns vídeos de ciclistas youtubers comparando e recomendando bikes nessa faixa de preço.

Tá, mas como escolher a sua bike? Só com o tempo você vai descobrir como é uma bike ideal para você.

Abaixo, alguns itens que considero essenciais para o que chamo de “commuter” (deslocamentos diários):

  • O estilo da bike – O ideal seria uma bike urbana ou híbrida, mas como não há muitas opções no Brasil e geralmente são mais caras, vá de MTB como base e personaliza-a com o tempo. Não comece com uma Speed porque dizem ser mais veloz ou Single porque dizem ter mecânica mais simples. Vou abordar o MTB aqui, que posso falar pela minha experiência, apesar de haver outras opções, como bike elétrica e dobrável, também.
  • A marca da bike – Não importa tanto. Se for um nome conceituado, melhor, mas não foque nisso agora.
  • Os mecanismos da bike – Aqui, extrema atenção! Dê preferência aos mecanismos (câmbios, freios, pedivela, etc) da marca SHIMANO. Existem outras marcas boas, mas para simplificar, procure pelo kit básico SHIMANO, possivelmente será um kit Altus. A ordem dos modelos é essa, do simples ao top: “Tourney < Altus < Acera < Alivio < Deore < SLX < Deore XT < XTR”. Eu ainda uso o kit Altus original da minha bike. Mas estou planejando um upgrade pro kit Alivio, pelo custo x benefício. Acho que os ciclistas mais experientes concordarão comigo, que um kit Altus tem qualidade suficiente para começar a pedalar e não vai te deixar na mão.
  • Suspensão dianteira – #polêmica. Os amortecedores simples/baratos que vêm nas bikes de entrada, não cumprem a real função que deveriam. É só pesquisar, e pela minha experiência, um garfo com amortecedor barato é quase um enfeite. Amortecedores de verdade são ótimos, mas não cabem no orçamento que estamos conversando aqui. Se a bike não vier com suspensão, não se preocupe.
  • Suspensão traseira – Esquece, atrapalham na reta/subida. Fuja!
  • Marchas/câmbio – Você precisa de uma bike com marchas, pois nunca se sabe quando haverá uma subida. 21 marchas ou velocidades, é o comum e basta.

Inicialmente, você deve pesquisar esses itens acima, mas para rodar diariamente pelas ruas, não basta só isso… Você vai precisar de acessórios:

  • Fita anti-furo – Essencial para evitar frequentes transtornos. Infelizmente, nossas ruas são cheias de lixo, onde encontramos pedaços de vidro e pregos. E no caso das ciclovias, já vi tachinhas colocadas propositadamente. A fita anti-furo não evita que estes detritos penetrem nos pneus, mas protege a câmara que fica no interior dela. É um gasto que vale a pena, sério.
  • Iluminação dianteira – Cor branca. De início, pode ser um LED piscante, apenas para alertar o trânsito. Se tiver mais grana, pode ser uma lanterna tipo torch, para iluminar eventuais buracos e obstáculos. (Se a luz for muito potente, aponte o facho levemente em direção ao chão, para não ofuscar motoristas, ciclistas e pedestres). Eu uso uma lanterna e carrego uma bateria extra na mochila. Troco a bateria semanalmente.
  • Iluminação traseira – Cor vermelha e piscante, para chamar atenção, mesmo. Eu tenho uma luz reserva, para quando a bateria da principal acabar. Você pode optar por carregar pilhas/baterias extras em sua mochila. Você pode deixar a luz presa na bike ou usar presa no capacete ou mochila, particularmente, prefiro na bike ou capacete, para nunca esquecê-la. A pilha/bateria da luz traseira dura meses.
  • Travas – Atenção! Pelo menos 1 trava do tipo U-Lock. E outra(s) trava(s), pode ser outra U-Lock, cabo-de-aço ou corrente, para fixar outras partes da bike, para quando for estacionar em locais não seguros. Uma U-Lock boa, custa mais de R$100, mas vale o investimento, pois uma bike roubada vai lhe custar mais de R$1.000. Alguns ladrões andam com alicate, que corta corrente/cabo-de-aço.
  • Paralamas – É um acessório muito útil para se pedalar na chuva ou pista molhada, pois os pneus levantam o spray de água/lama, no rosto e costas.
  • Buzina ou campainha – Para alertar pedestres sem assustá-los, você pode instalar uma campainha (trim-trim), mas saiba que os motoristas nem sempre vão escutar a campainha. Uma buzina, elétrica ou a ar, normalmente emite um som mais alta e apropriado para alertar motoristas. Eu desisti da campainha e uso apenas a buzina a ar, mesmo.
  • Retrovisores – Quem dirige carro e/ou moto, sabe como são importantes. Eu não me sinto seguro pedalando uma bicicleta sem retrovisores. É um opcional, mas que traz muita segurança e confiança ao ciclista.
  • Bagageiro – Às vezes, eu faço compras e nem sempre cabe tudo na mochila. Um bagageiro com elásticos, além de compras, pode servir para fixar suas travas ou alforges (bolsas para bike). A bike fica mais pesada, mas pode compensar pela versatilidade.
  • Velocímetro – Não há risco de levar multa por excesso de velocidade (rsrsrs), mas é bom ter uma noção de velocidade e ter um relógio fixo na bike.
  • Porta-caramanhola – É o porta-garrafinha d’água ou isotônico. Eu reutilizo uma garrafinha de isotônico, que tem aquele bico retrátil, que troco de tempos em tempos.
  • Óculos de proteção – Muito importante usar, pois há muita poeira, folhas, galhos, insetos e fuligem nas ruas. Mas eu não compro em lojas de ciclismo, compro óculos de segurança, direto em lojas de material de EPI (Equipamentos de Proteção Individual). São bem mais baratos, garantidos e há alguns estilosos, não se preocupe. Lentes transparentes, para melhor visão durante a noite.
  • Capacete#polêmica. Por mim, usa quem e quando quiser. Eu sempre uso na rua. Já fui atropelado (não me machuquei), e decidi que agora só vou usar capacetes fechados, que protegem o rosto todo. (Uma reconstrução facial e/ou dentária, deve custar menos que um bom capacete fechado). Não é capacete de moto, é de ciclismo. Eu uso um capacete de fibra, para downhill, que deve pesar uns 1.2kg. Paguei R$150, usado. Estou pesquisando um mais moderno, leve (e beeem caro, obviamente). Talvez ainda neste ano.
  • Lenço de cabeça – A transpiração é quase inevitável, portanto junto com o capacete, use um lenço para absorver o suor. O lenço seca bem mais fácil que os acolchoados do capacete.
  • Mochila – Outro ponto de discórdia entre ciclistas, mas eu prefiro usar mochila ao invés de alforge. Tenho uma bela bolsa tipo messenger, mas qualquer mochila dá muito mais conforto, estabilidade, segurança e praticidade. Quando parei debaixo do parachoque do carro, por exemplo, ela amorteceu a queda e não me arranhei. Ponto final.
  • Luvas – Eu só uso no frio intenso, quando os dedos endurecem. Luvas sem a parte dos dedos (luvinhas de academia), não protegem nada. Comprei a minha luva, também em loja de material de EPI, que protege a mão e os dedos, com amortecimento contra impactos. É uma luva de segurança Danny Extreme.
  • Calçado – Utilizo tênis ou sapatênis compacto, bem justo no pé. Se possível, de velcro, sem cadarço que pode enroscar em alguma parte da bike. O calçado compacto, tipo sapatilha é mais leve e melhor para sentir o pedal.
  • Camiseta – Nunca usar camisetas de algodão ou material que retém a umidade. Tecidos sintéticos, próprio para atividades esportivas secam mais rápido e evitam que você pedale vestindo um tecido úmido e resfriado pelo vento.
  • Calça – Não vejo empecilho ou problema em usar calça comprida, desde que não seja muito larga e enrosque no pedal, corrente, galho ou retrovisor de algum carro. Costumo dobrar a perna direita da calça (lado da corrente), para que não suje, caso encoste na coroa ou corrente. Em dias de chuva, dobro ambas, para molhar menos.
  • Roupa social – A roupa social que uso no trabalho, eu passo o ferro, dobro, coloco numa pasta de plástico A4 que vai dentro da mochila.
  • Poncho para chuva – Não aconselho usar capa de chuva, pois é ruim de vestir, sinto que limita os movimentos e vira uma sauna. Acho o poncho bem mais prático e arejado. Você saca da mochila e só precisa vestir a cabeça. Não cobre as pernas, mas cobre a sua mochila junto. Compacto e fácil de dobrar/guardar/transportar. O meu poncho, importei via Amazon, é da marca Kelty.
  • Blusa corta-vento – Em dias frios, use uma blusa leve, do tipo corta-vento. Costumam ser finas e por isso, pode deixar direto dentro mochila, junto com o poncho.
  • Chaveiro tipo mosquetão – Deixe todas as chaves da bike (travas e cadeados), juntas em um mosquetão, para um rápido acesso na hora de estacionar ou destravar a bike. O meu mosquetão da bike, eu prendo na alça da mochila (peitoral). Não preciso procurar dentro de bolsos ou abrir zíperes. As outras chaves (casa, trabalho, etc) deixe em outro chaveiro.

Depois, criarei posts individuais, para cada item desses que citei acima, com imagens e informações mais detalhadas. 😉